-->

sábado, 17 de julho de 2010

Ordem Agostiniana Recoleta

Província Santo Tomas de Vila Nova
 Paróquias: Breves, Portel, Salvaterra
AGOSTINIANOS RECOLETOS  NO BRASIL
A Recoleção Agostiniana tem escrito uma bela página de sua história (1899-2002) no Brasil. Teve seu início com a chegada, procedente da Espanha, do Navio Aquitane, que atracava em Santos, aos 19 de fevereiro de 1899. Nele vinham os primeiros 12 Agostinianos Recoletos, na sua maioria, missionários das ilhas Filipinas, expulsos de lá por ocasião dos movimentos de independência, ilhas onde exerceram seu apostolado durante três séculos.
Iniciaram-se contatos com bispos brasileiros para se instalarem na Terra de Santa Cruz; nascia, assim, o projeto de evangelização destas paragens pela Ordem dos Recoletos, obra que perdura até nossos dias com um trabalho bem intenso.
Iniciadas as atividades no Triângulo Mineiro, logo foram os religiosos solicitados para trabalharem em muitas outras cidades e regiões: MINAS GERAIS, SÃO PAULO, PARA E ESPIRITO SANTO (1899) BAHIA (1901) RIO DE JANEIRO (1920) AMAZONAS (1925). Os religiosos aceitam paróquias, dirigem seminários diocesanos, renovam e organizam santuários, restauram e constroem  igrejas e capelas, ajudam os bispos em suas atividades apostólicas e missionárias, renovam irmandades e confrarias, instauram a catequese onde não há, fundam escolas, etc.
Foi a partir de 1929 que começam a se cultivar as vocações próprias, e no ano de 1960, cria-se uma província brasileira: Santa Rita de Cássia. Desde então continua o Vicariato da Prov. De  Sto. Tomas de Vilanova com casas em Espanha, Argentina e Venezuela que principalmente se responsabiliza da Prelazia de Marajó (PA). No ano de 1980, se estabelece a Delegação da Prov. De São Nicolau de Tolentino que se responsabiliza da Prelazia de Lábrea (AM) e atualmente tem casas no estado de Ceará.
Hoje a Ordem dos Agostinianos Recoletos está em 8 estados de Brasil com 28 Comunidades que realizam sua obra de apostolado em 26 paróquias, 2 colégios, várias escolas paroquiais, 6 seminários próprios e as Prelazias de Lábrea (AM) (1925)  com uma extensão de 250.000 Km  e Marajó (PA) (1928) com uma extensão de 105.000 Km. Os bispos e  a maioria dos padres destas prelazias são recoletos. Mais três bispos recoletos governam: a Prelazia de Cametá (PA) as Dioceses de Rio Branco (AC) e Tianguá (CE).
Dos agostinianos recoletos que moram  em Brasil,  65 são brasileiros, 50 espanhóis e 8 de outros paises (filipinos, mexicanos e costarriquenhos). O religioso agostiniano quando faz a sua profissão sabe que sua pátria está lá onde, por meio da OAR, a Igreja lhe precisar, para viver uma  intensa   vida interior  a través da oração e a vida comum para a missão.
A VOCAÇÃO AGOSTINIANA
Santo Agostinho instaura na Igreja a experiência das primitivas comunidades. É o que ele diz no início de sua Regra:
“Para isto vos reunistes em comunidade. Vivei unidos numa só casa e tende uma só alma e coração dirigidos para Deus”.
Agostinho concebia a vida religiosa como um grupo de amigos que se reuniam para chegar à posse da verdade. Lendo a Regra, vê-se que, na sua concepção, cada membro tinha uma função dentro do grupo, todos, porém,
“uma só alma e coração”.
Todos deviam ajudar-se para construir uma comunidade de vida, de ideais, de interesse religiosos e humanos, em perfeita comunicação. Enfim, uma verdadeira comunidade de irmãos e amigos, tendo em vista uma única meta, caminhando na mesma direção e em íntima colaboração para a integração do grupo.
O núcleo da concepção agostiniana da vida religiosa está na tomada de consciência da unidade e da comunhão interior entre os irmãos. Isto leva a ter em conta os valores, a mútua ajuda, evitando o egoísmo.
Nas Confissões, Agostinho nos fala de seu ideal, anterior à conversão:
“Éramos muitos os amigos que trazíamos o espírito agitado. Falávamos com aborrecimento dos dissabores tumultuosos da vida humana. Já quase tínhamos resolvido viver sossegadamente, retirados da multidão.
Tínhamos projetado aquele sossego deste modo: se alguma coisa possuíssemos, juntá-la-íamos para uso comum, combinando formar de tudo um só patrimônio, de tal forma que, por amizade sincera, não houvesse um objeto deste, outro daquele, mas se tudo se tivesse uma só fortuna, sendo tudo de cada um e tudo de todos” (Conf., 6,14).

Após a conversão escreve a Leto que duvidava em seguir sua vocação:
“Cada um procure amar aquela sociedade e comunhão, como está escrito: Não existia entre eles senão uma só alma e um só coração. Desta forma, tua alma não é tua, mas de todos os irmãos. As almas deles são tuas, ou, melhor, suas almas com a tua, não são almas, mas uma só alma, única, de Cristo" (Epist. 243,4).

Mais claro ainda, neste trecho:
“Não vivem em união senão aqueles nos quais está a perfeita caridade de Cristo. Muitos irmãos vivem só corporalmente unidos. Quem vive na unidade? Aqueles dos quais está escrito: Tinham uma só alma e um só coração dirigidos para Deus e ninguém tinha nada próprio, mas tudo lhes era comum” (Enarrationes in Os. 132(12).
Aí está a chave para compreender a comunidade agostiniana. Para Agostinho a experiência de vida religiosa está penetrada por esta dimensão comunitária. É um ponto de partida sumamente bíblico.

Para construir esta comunidade exige-se o fundamento da caridade. Vivendo a caridade, os irmãos:

•    dedicam-se a mútuas atenções, como filhos de Deus e irmãos de Cristo;
•    entregam sua vida e tudo o que lhes pertence ao serviço do amor;
•    aceitam-se mutuamente;
•    sabem perdoar;
•    praticam com delicadeza a correção fraterna e
•    ajudam-se com orações.

O ideal da comunidade agostiniana é realizar uma convivência em Cristo, reproduzindo, de acordo com as exigências de cada tempo e lugar, o que vem descrito nos Atos dos Apóstolos.

Este é o ideal, bíblico e humano, que a Ordem dos Agostinianos Recoletos propõe aos jovens de hoje. Num mundo dilacerado por separações provenientes dos mais variados conflitos, mas que anseia pela paz e compreensão, podemos oferecer aos jovens e homens de boa vontade a possibilidade de uma realização humana, eclesial e religiosa, que leva em conta as mais profundas aspirações do coração humano.

Ordem dos Agostinianos Recoletos

A Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR) é uma ordem religiosa católica seguidora de Santo Agostinho. Nasceu na Espanha, em 1588, em plena Reforma Católica, a partir da renovação da Província Agostiniana de Castela. Hoje possui cerca de 1200 religiosos professos, sendo 17 bispos, 940 sacerdotes e 70 irmãos. No Brasil possui três províncias: Província de Santa Rita de Cássia (região centro-oeste), Província de Santo Tomás de Villanueva, (região centro-oeste e região sul) e Província de São Nicolau de Tolentino (região norte e região nordeste). Trabalham em paróquias, missões colégios e seminários.